O Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) recebe no dia 22 de agosto, às 15h, uma nova edição do projeto Imagens Sonoras dedicada ao Pessoal do Ceará, movimento que impulsionou artistas cearenses na cena musical brasileira a partir dos anos 1970. O encontro é gratuito e aberto a todos os públicos, reforçando o caráter formativo e de acesso livre que marca a programação cultural do espaço.
A conversa terá como fio condutor o álbum "Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem", lançado em 1973 por Ednardo, Rodger Rogério e Téti. O disco reúne faixas que se tornaram referências na trajetória dos três artistas, como "Terral" e "Cavalo Ferro", e é considerado um marco de um período de renovação sonora vivido no Ceará naquela década. crash point
Mais de cinquenta anos depois de seu lançamento, o álbum segue sendo revisitado como documento de uma identidade artística que se consolidou fora do eixo Rio-São Paulo. O projeto Imagens Sonoras propõe justamente essa aproximação entre memória musical e novas formas de escuta, convidando o público a ouvir novamente as canções sob outra perspectiva.
Contexto histórico e formação de uma identidade musical
Durante o encontro, os participantes vão conhecer o contexto de produção do disco, a trajetória dos integrantes do Pessoal do Ceará e a influência que o movimento exerceu sobre a música brasileira nas décadas seguintes. A proposta é situar a obra dentro de um momento de efervescência criativa no estado, quando novos arranjos, temáticas e sonoridades passaram a dialogar com a tradição nordestina e com influências externas, ampliando o repertório da música popular cearense.
A participação de Mimi Rocha
A conversa contará com a presença de Mimi Rocha, guitarrista, produtor musical e arranjador com mais de três décadas de carreira. Ao longo da trajetória, ele trabalhou em palcos e estúdios ao lado de nomes como Fagner, Belchior, Kátia Freitas, Dominguinhos, Ednardo e Amelinha. Sua vivência prática com os arranjos e as sonoridades do período deve embasar uma análise mais técnica dos elementos musicais presentes no álbum, ajudando o público a compreender escolhas de instrumentação, harmonia e produção que marcaram a obra.
Diálogo com outros movimentos da música brasileira
O encontro também deve traçar paralelos entre o Pessoal do Ceará e outros núcleos de criação surgidos na mesma época, como o Clube da Esquina, formado em Minas Gerais. A comparação serve para destacar as particularidades da sonoridade cearense, que uniu referências locais a uma linguagem musical mais experimental, sem perder a conexão com a cultura popular do estado.
Ao resgatar essa produção mais de cinco décadas depois, o Imagens Sonoras reforça um papel importante: o de manter viva a memória de artistas que ajudaram a construir a história musical do Ceará e de discutir como essas obras continuam a influenciar novas gerações de músicos e ouvintes.