Novo chefe do Australian Open promete mais sombra e espaço nas quadras externas

Novo chefe do Australian Open promete mais sombra e espaço nas quadras externas

O novo diretor-executivo da Tennis Australia, Andrew Abdo, anunciou um pacote de melhorias estruturais para a edição de 2027 do Australian Open, prometendo mais assentos e mais áreas de sombra nas quadras externas de Melbourne Park. O ex-dirigente da liga de rugby league australiana assumiu o cargo recentemente e defende que sua origem fora do universo do tênis é, na verdade, um trunfo para impulsionar o crescimento do torneio.

Expansão física do complexo em Melbourne Park

Segundo Abdo, o primeiro Grand Slam de 2027 contará com a maior arquibancada temporária já construída em Melbourne Park, erguida na quadra seis, com acréscimo de 700 lugares. O dirigente também prometeu "o triplo de sombra" disponível para o público em comparação às edições anteriores, além de um limite nas vendas de ingressos avulsos (day passes) para controlar melhor o fluxo e o conforto dos visitantes. O Grand Slam Oval, área de convivência do torneio, ganhará ainda uma estrutura de dois andares ao redor do gramado sombreado. Abdo descreveu o equilíbrio entre ampliar a venda de ingressos e preservar a experiência do público como um "trade-off delicado", reconhecendo que o espaço físico do complexo se tornou uma limitação diante do sucesso de bilheteria.

A edição de 2026 do Australian Open vendeu mais de 1,3 milhão de ingressos, cerca de 100 mil a mais que o ano anterior, e as filas para acesso às quadras - especialmente nos fins de semana - tornaram-se um ponto recorrente de reclamação entre os torcedores. "Nunca se quer barrar torcedores, mas estamos atentos à experiência do público", afirmou Abdo, acrescentando que a organização busca parceria com o governo local para ampliar a área do complexo e evitar, no futuro, a necessidade de limitar o público.

Início de gestão com tropeços

Abdo decidiu acumular a função de diretor do torneio, repetindo o modelo adotado por seu antecessor, Craig Tiley, que por anos geriu simultaneamente a entidade e o evento. A apresentação oficial do novo mandato, feita a funcionários, parceiros e jornalistas em Melbourne nesta quinta-feira, foi marcada por um deslize: ao citar o número 1 do mundo, Abdo chamou Jannik Sinner de "Jacob Sinner". Questionado depois pela imprensa, o dirigente minimizou o episódio, garantindo que "claro que sei que é Jannik Sinner" e confirmando que o italiano - em recuperação de lesão no joelho - deve participar da atração "One Point Slam", formato promocional que coloca amadores diante de profissionais em Melbourne Park.

O gaffe se soma a outro momento de atrito na gestão recém-iniciada. Em palestra no mês passado durante a conferência SportNXT, Abdo chegou a sugerir a possibilidade de reduzir a duração das partidas masculinas de Grand Slam, hoje disputadas em melhor de cinco sets. A ideia provocou reação imediata de tradicionalistas do esporte, levando os perfis oficiais do Australian Open nas redes sociais a publicarem que "o tênis de cinco sets veio para ficar".

Um "forasteiro" que aposta na própria experiência

Diante do histórico recente de desconfiança por parte do meio tenístico - ainda habituado à experiência de Tiley -, Abdo defendeu que sua trajetória fora do tênis é justamente o que pode trazer resultados. "Acho que trago uma perspectiva nova, energia e novas ideias", disse. "Não sou um forasteiro quando se trata de liderar no esporte, e não sou um forasteiro quando se trata de saber como me cercar de pessoas extremamente talentosas e dedicadas para obter o melhor resultado." Ele resumiu sua proposta de gestão como uma "busca incansável por crescimento" e por geração de valor para os stakeholders do torneio, um discurso que será testado já na organização da edição de 2027.