Tênis em 2026 no Brasil: ESPN, Disney+ e CazéTV dividem o circuito

Tênis em 2026 no Brasil: ESPN, Disney+ e CazéTV dividem o circuito

A temporada 2026 de tênis caminha para o fim com o mercado brasileiro de transmissões mais fragmentado do que em anos anteriores. Impulsionado pela ascensão de João Fonseca, o esporte vive um momento raro de visibilidade no país, e a disputa por direitos entre Grupo Disney, Globo e CazéTV reflete esse crescimento. Entender onde assistir a cada competição já não é tão simples quanto antes - e a situação deve se reconfigurar ainda mais a partir de 2027.

Grand Slams e circuito ATP sob domínio da ESPN e do Disney+

Os quatro Grand Slams - Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open - permanecem com o Grupo Disney no Brasil, exibidos pela ESPN na TV por assinatura e pelo Disney+ no streaming. O pacote anual de patrocínio do tênis, segundo o grupo, esgotou suas 16 cotas antes do prazo, com marcas como Itaú, Vivo, Engie, Jaguar e Renault associadas aos torneios. O US Open teve ainda cobertura adicional do SporTV e retransmissão pelo Globoplay, ampliando o alcance do torneio em território nacional.

No circuito regular masculino, a ESPN renovou os direitos da ATP até 2029, um contrato de longo prazo que sinaliza a aposta da emissora no crescimento do interesse pelo esporte, puxado principalmente pelos resultados de Fonseca. Ao longo do ano, as plataformas do Grupo Disney chegam a exibir mais de 110 torneios entre ATP e WTA, com o ESPN 2 como um dos canais de referência para o acompanhamento diário das partidas.

CazéTV expande presença e mira o WTA Tour a partir de 2027

A CazéTV consolidou em 2026 sua entrada mais ambiciosa no tênis até aqui. O canal garantiu os direitos exclusivos no Brasil da série ATP Challenger Showcase, pacote com 35 torneios internacionais disputados em países como Estados Unidos, França, Itália e Espanha, transmitidos gratuitamente pelos canais oficiais, incluindo o YouTube. A emissora também passou a divulgar clipes e melhores momentos de torneios ATP 250, ATP 500 e Masters 1000.

O movimento mais significativo, porém, foi anunciado em julho: a CazéTV fechou acordo exclusivo para transmitir todo o WTA Tour no Brasil a partir de 2027, com vigência até o fim de 2030. O contrato engloba os níveis WTA 250, WTA 500 e WTA 1000, retirando o circuito feminino da órbita da ESPN e do Disney+ a partir da próxima temporada - uma mudança que deve redesenhar o mapa de audiência do tênis feminino no país.

Globo mantém Rio Open, SP Open e teve a Copa Davis com a CazéTV

Dois dos principais eventos disputados em solo brasileiro fogem à regra geral de distribuição. O Rio Open, ATP 500 realizado em fevereiro no Jockey Club Brasileiro, teve transmissão do SporTV e retransmissão pelo Globoplay. Já o SP Open, torneio WTA 250 disputado em setembro no Parque Villa-Lobos, contou com cobertura do SporTV, do Globoplay e também da ge tv, no YouTube do Grupo Globo.

Na Copa Davis, a CazéTV transmitiu o confronto entre Brasil e Suíça pelos Qualifiers, disputado nos dias 18 e 19 de setembro na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. A vaga na edição de 2027 da competição por equipes ficou com o Brasil, em mais uma mostra do interesse crescente das emissoras abertas e digitais pelo esporte, mesmo fora dos grandes torneios individuais.

Para onde vai o tênis no Brasil

O cenário atual mostra um esporte em transição de modelo de distribuição: o pay-per-view tradicional da ESPN e do Disney+ ainda domina os grandes torneios, mas iniciativas gratuitas via streaming, como as da CazéTV, ganham espaço rapidamente. Com o WTA Tour migrando integralmente para o canal digital a partir de 2027, o tênis feminino deve ganhar um alcance de público inédito no Brasil, repetindo o movimento que o futebol já vive há alguns anos com a chegada de plataformas abertas digitais ao mercado de direitos esportivos.